Tô cheirando a bebê. Às terças e quintas sou fisioterapeuta pediátrica. Particularmente prefiro as crianças em idade escolar. Viajo nas estorinhas deles, aprendo um monte de coisas, aprendo a ser mais leve, em tudo. Mas? A clínica tá numa fase babylandia. De 9 às 12 aquela recepcao é invadida por pais, avós, babás e bebês! Muitos. A maioria prematuros. Alguns são tão pequenos e já sofreram tanto.... E resistiram. Agora travam uma nova luta contra possíveis sequelas neurológicas. A chatisse nem é atender essa galerinha pq eles são muito fofos. A questão são os pais. Angustiados por respostas. Visivelmente tensos. Deixando os filhos tensos na terapia. E ainda perguntam: pq ele é tão agitado????? Querem saber se o filho vai andar, se vai se desenvolver normalmente, se vai ser uma criança normal.Tem perguntas de todos os tipos. Até se conversar com o bebê retarda o seu desenvolvimento (?). Sim, há todo tipo de pais na clínica.Alguns até com boas condições financeiras...Nem todos perguntam as coisas mais sérias, mas a interrogação é visível. Se me perguntarem eu falo. Há uma teoria em pediatria que diz: se o pai/mae pergunta algo sobre o prognóstico do seu filho é pq ele está preparado para ouvir a resposta. Caso nao pergunte, não force a barra. Às vezes tenho medo. Medo de falhar com o filho de alguém. Sei que estou fazendo o melhor que eu posso. E o bacana é ver o resultado.Em crianças entao...pode-se corrigir um atraso em muito pouco tempo. É muito gratificante observar um bebê que não sustentava o pescoço passar a fazê-lo em pouco mais de um mês de tratamento. E esse bebê em especial tá mexendo comigo. Estou encantada por ele. Descobri que levo jeito pra esse lance. Nao tenho filhos, mas sei diferenciar os vários tipos de choro, por exemplo.Sei quendo sentem dor. Sei quando é hora de parar a sessão. Sei quando querem o colo da mãe. Quando estão com fome/sono/cólica... Parece que eu fui feita pra lidar com esses pequeninos. A comunicação é fantástica. A troca de olhares é mágica. E sem dizermos uma só palavra. E me pergunto: por que não? Por que não quero? Será que não quero mesmo? Será que é só amor de terapeuta, como eu mesma digo? Sim, este tema certamente está na pauta. Em algum momento falarei sobre ele numa sala aconchegante, cheia de livros, sofás, tapetes, quadros e? Ela, a cara de Estadão!





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